segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

REFORMA TRIBUTÁRIA: DILMA TERÁ DE NEGOCIAR COM OS GOVERNADORES

"Esta é uma reforma muito difícil de fazer, por isso todos prometem e ninguém conseguiu fazer até agora. Vamos torcer", diz Miriam Leitão.

Sobre a questão da reforma tributária, a qual a presidente Dilma Rousseff se referiu no discurso de posse, muito se tentou. Foram feitos vários remendos e várias tentativas que esbarram nas vontades dos governadores e nas vontades de cada estado da federação. É uma reforma que mexe com o pacto federativo.

Esta é uma reforma muito difícil de fazer, por isso todos prometem e ninguém conseguiu fazer até agora. Vamos torcer para que a presidente consiga. Mas ela tem que não apenas mandar o projeto – ela precisa acompanhar e negociar com os governadores. Essa discussão não passa pela maioria no Congresso, e sim pela negociação com os governadores. Cada estado vê com seu interesse econômico, e não seu partido político. É o eixo federativo. Dilma vai ter de negociar com a federação, e aí é um quebra-cabeça difícil de fazer.

Existem postos demais, e a presidente apontou na direção certa: a simplificação. É muito importante simplificar, porque as empresas, além de pagar muitos impostos, elas têm de gastar muito tempo para tentar entender esse emaranhado de impostos.

Em relação à oposição, no discurso de posse a presidente Dilma Rousseff disse que estenderia a mão à oposição. Isso é bom, mas ela deveria ter ido além no discurso que sempre foi feito pelo ex-presidente Lula: a ideia de que tudo começou em 2003. Quando ela falou sobre o que foi feito, Dilma colocou tudo a partir de 2003. E fez uma pequena menção: “É justo considerar que muitos a seu tempo e a seu modo deram grandes contribuições às conquistas de hoje”.

Isso é muito pouco. Ela poderia ter feito uma coisa mais generosa, porque, além de estender a mão à oposição, ela reconheceria o trabalho feito pelos governos anteriores. Ela chamou, por exemplo, a inflação de “praga”, e a inflação foi vencida pelos ex-presidentes Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso. Dilma poderia ter feito uma pequena menção, e isso faria com que ela fosse além da ideia de sempre do governo Lula de que tudo foi feito a partir de 2003 – e a gente sabe que não.

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