segunda-feira, 6 de junho de 2011

JUROS SUBIRÃO PARA 12,25%

Inflação muito distante do centro da meta, de 4,5%, obriga o Banco Central a promover novo arrocho na economia nesta semana. Outra alta, de 0,25 ponto, deve ocorrer em julho

Apesar dos sinais cada vez mais claros de que a economia brasileira segue em trajetória de desaceleração — o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,3% no primeiro trimestre em relação aos três últimos meses de 2010 —, nada deve evitar um novo arrocho nos juros nesta semana. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reunirá a partir de terça-feira, com a decisão saindo na quarta, e, entre os especialistas, o consenso é de um aumento de 0,25 ponto percentual na taxa básica da economia (Selic), que passará de 12% para 12,25% ao ano.

Nos últimos dias, levantou-se a possibilidade de o Copom interromper o movimento de alta da Selic, iniciado em janeiro, diante do inesperado tombo de 2,1% na produção industrial em abril. Mas o receio da autoridade monetária é interromper o ciclo de aperto monetário cedo demais e ter que arcar com o descontrole inflacionário, que está correndo o poder de compra dos salários. A tendência é de o BC indicar, no comunicado pós-reunião, que o processo de aumento dos juros está chegando ao fim.

O economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas Gomes, acredita que a estratégia de reduzir a dose do remédio (de 0,5 para 0,25 ponto) no último encontro do Copom foi bem sucedida e será conservada. "O BC manterá o gradualismo nas próximas decisões, até ter a certeza de que a meta de inflação de 2012 (4,5%) está garantida", diz.

André Lóes , economista-chefe do Banco HSBC Brasil, aposta que a Selic subirá, pelo menos, mais duas vezes. "Esperamos uma elevação de 0,25 ponto na reunião de junho e outra, na mesma magnitude, em julho, parando em 12,50% ao ano", afirma. Ele elogia o resultado fiscal do setor público, que registrou superavit primário (economia para o pagamento de juros) de R$ 57,3 bilhões entre janeiro e abril. Mas alertou para os riscos de piora nas contas públicas, porque o governo não conseguirá conter os gastos, como fez até agora. "O aperto foi feito via controle de investimento. Agora, não há mais como fazer isso, pois os prazos para a entrega dos projetos de infraestrutura são muito pequenos", ressalta.

Preocupação

O economista-sênior da Economist Intelligence Unity, Robert Wood, endossa tal visão: "O governo reduziu o ritmo de expansão dos gastos públicos, cortando investimentos, o que é ruim para o crescimento do país. Por isso, a contenção das despesas será revertida no segundo semestre".

Na avaliação de Wood, o recorde de arrecadação de tributos federais, observado no primeiro quadrimestre do ano, ajudou o governo a convencer os agentes econômicos de que é capaz de cumprir a meta cheia de superavit primário. "Foi um choque de confiança, mas ainda estou preocupado com o fato de a política fiscal continuar a ser expansionista, no médio prazo, tornando mais difícil trazer a Selic para patamares mais civilizados", completa.
Para o estrategista-chefe do Banco WestLB, Roberto Padovani, os juros vão subir 0,25 ponto. "O BC já sinalizou que deverá elevar novamente os juros nas próximas duas reuniões", diz.

(Fonte: Correio Braziliense, extraído de Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão)

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