Grandes corporações estão estimulando startups e negócios já estabelecidos a produzirem inovação no mercado nacional. A IBM lançou no mês passado um programa de empreendedorismo que abre as portas de seus laboratórios para empresários brasileiros. A Intel já recebeu mais de 500 participantes em uma iniciativa de fomento, enquanto a Shell espera receber, em 2012, cerca de 3 mil inscrições para uma ação de capacitação, para jovens de 20 a 34 anos.
Outra multinacional, a SAP, acaba de anunciar o lançamento de um novo sistema, desenvolvido no Brasil, em parceira com uma empresa de Minas Gerais. "Esses programas abrem caminho para uma interação maior entre os pequenos empresários e as grandes corporações", analisa Aloísio Buoro, professor de administração do Insper.
Em maio, a IBM lançou o Programa de Empreendedorismo Global para desenvolvedoras de software com menos de cinco anos de atividade. Os participantes têm acesso à linhas de pesquisa, técnicas de vendas e marketing da companhia. É possível ainda participar de uma rede social, com mais de 8 milhões de profissionais de TI, em todo o mundo. "O programa vai apoiar empreendedores na captação de oportunidades de negócios", afirma Ricardo Mansano, gerente do centro de inovação da IBM.
A iniciativa da Intel, batizada de Desafio Brasil, existe há cinco anos e já recebeu mais de 500 startups. Trata-se de uma competição entre projetos de inovação tecnológica - ganha quem mostrar que uma boa ideia pode se tornar um negócio viável.
O programa é coordenado pelo Centro de Private Equity e Venture Capital da Fundação Getúlio Vargas (GVcepe), com apoio da Microsoft, Derraik Advogados e Helice Consulting. Oferece mais de R$ 100 mil em prêmios e 20 horas de mentoring com profissionais da indústria local e dos Estados Unidos, além de assessoria jurídica e consultoria de negócios. "Essa bateria prepara os empresários para apresentações com possíveis investidores", diz Rubem Saldanha, gerente de educação da Intel Brasil.
Os primeiros colocados representam o país em uma etapa latino-americana. O vencedor é classificado para um concurso mundial, em novembro, na Califórnia. O empresário Marcius Victorio da Costa, sócio-diretor da carioca Fumajet, foi um dos finalistas. "Ganhamos visibilidade, credibilidade entre os investidores e ainda fizemos network", diz.
Criada em 2009, a empresa de Costa tem nove funcionários e desenvolveu o motofog ou moto fumacê, uma motocicleta que substitui picapes e caminhões leves no combate a epidemias de dengue e na aplicação de inseticidas agrícolas. Faturou R$ 360 mil no ano passado e atende prefeituras de municípios fluminenses, como Angra dos Reis.
Na Shell, o programa Iniciativa Jovem é centrado em projetos criados por participantes de 20 a 34 anos. "Oferecemos capacitação para a elaboração de planos de negócios e consultorias de gestão", explica Leíse Duarte, assessora de performance social da companhia. No final do treinamento, os empresários submetem as ideias a uma auditoria, para receber um selo de empreendimento sustentável. "Com o diploma, é possível usar um espaço compartilhado para fazer reuniões e participar da rede internacional de empreendedorismo da companhia".
O programa faz parte de uma iniciativa da Shell existente em mais de 20 países. Em 2011, recebeu 2,7 mil inscritos no Brasil. Cerca de 200 pessoas foram entrevistadas e há 63 jovens na oficina de projetos da companhia, no Rio de Janeiro (RJ). Há aulas de inovação, marketing e finanças. Nos dez anos do programa, foram recebidas 8,1 mil inscrições e mais de 60 empreendimentos foram criados.
Entre elas está a Coco Legal que produz, envasa e distribui água de coco no Rio de Janeiro. O sócio Fábio Lewin vendia o produto em academias de ginástica. Hije, a Coco Legal tem 25 funcionários e vende 35 mil litros ao mês para hospitais e restaurantes. "Nossos próximos desafios são construir uma nova planta, automatizar processos e vender para fora do Estado", diz o empresário. A previsão de Lewin é investir R$ 900 mil em 2011. A empresa faturou R$ 1,8 milhão em 2010 e espera alcançar R$ 2,5 milhões este ano.
Desde o ano passado, a SAP mantém no país o Co-Innovation Lab, um laboratório para desenvolver, com parceiros brasileiros, softwares complementares à linha da marca. "A meta é criar produtos que ajudem os nossos clientes", afirma Humberto Vieites, diretor de ecossistema. A iniciativa oferece suporte técnico durante o desenvolvimento dos sistemas e venda conjunta das soluções. Cinco empreendedores devem participar do programa em 2011. No mês passado, chegou ao mercado o primeiro resultado. O software Sigga SM2, feito em parceria com a mineira Sigga, será usado para gerenciar a manutenção dos ativos com a ajuda de dispositivos móveis.
(Fonte: Valor Econômico, extraído de ABDI)

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