Após anunciar números recorde da balança comercial, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), Fernando Pimentel, afirmou que é preciso melhorar a qualidade dos produtos exportados. Ele ressaltou que medidas tributárias, fiscais e de financiamento devem ser anunciadas neste mês para incentivar a exportação de produtos industrializados. "Estamos praticamente na fase final da política de desenvolvimento produtivo e, na verdade, vamos mudar o foco para uma política de desenvolvimento da competitividade", explicou Pimentel.
Segundo o ministro, a importância de incentivar a exportação de manufaturados está no aumento da geração de empregos no Brasil. Apesar de reconhecer que o real valorizado não ajuda as exportações brasileiras, ele disse que os números anunciados ontem mostram que a taxa de câmbio não inviabiliza a economia.
O governo anunciou a revisão para cima da meta de exportação para 2011, de US$ 228 bilhões no ano para US$ 245 bilhões. O resultado representa um aumento de 21% nas exportações em comparação com 2010. Pimentel não detalhou previsões para importações e para o saldo comercial do ano. "Temos pouco controle sobre as importações. Trabalhamos com a ideia de superávit comercial este ano", disse.
A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 1,863 bilhão em abril, de acordo com dados divulgados ontem. No mês, as exportações somaram US$ 20,173 bilhões, com média diária de US$ 1,061 bilhão, enquanto as importações chegaram a US$ 18,310 bilhões, com média de US$ 963,7 milhões.
No ano, até abril, a balança comercial brasileira acumula superávit de US$ 5,032 bilhões. O resultado representa um aumento de 132,3% em relação ao mesmo período do ano passado, quando a balança registrou saldo positivo de US$ 2,166 bilhões.
A corrente de comércio (soma das exportações e das importações) chegou a US$ 137,778 bilhões no fim de abril deste ano, superando em 29,2% o total de US$ 106,616 bilhões apurado em igual período de 2010.
Até o mês passado, as exportações totalizaram US$ 71,405 bilhões, com média diária de US$ 881,5 milhões, equivalentes a um crescimento de 31,5% ante a média de US$ 671,5 milhões registrada no mesmo período de 2010. Neste ano, as importações já chegam a US$ 66,373 bilhões, com média diária de US$ 819,4 milhões, valor 27,1% superior à média de US$ 644,8 milhões registrada em igual período do ano passado.
Embora as importações de produtos industrializados estejam crescendo a um ritmo maior do que as exportações desses produtos, o secretário executivo do Ministério, Alessandro Teixeira, negou que haja um processo de desindustrialização no Brasil.
De acordo com ele, há aumento de produção e produtividade da indústria. "Alguns setores enfrentam problemas, mas isso não pode ser generalizado", afirmou. Teixeira explicou que "o aumento das importações decorre de um aumento do consumo interno, e não de uma substituição do produto nacional pelo estrangeiro".
(Fonte: Jornal do Comércio)

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